A PEDAGOGIA SOCIAL POR UM PRISMA GOETHEANÍSTICO:
As formas de liderança sempre foram uma incógnita para as organizações. Qual é a forma ideal? Como devem funcionar? Para onde caminhamos? Para responder a estas e outras perguntas, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “A Obra Científica de Goethe” de Rudolf Steiner, onde ele fala do conceito Goetheano da formação do ser humano e dos animais:
“...em cada espécie animal um sistema de órgãos ocupa unilateralmente o primeiro plano; o animal inteiro se realiza nele, e todo o resto passa para o segundo plano.” E mais adiante afirma: “Na formação humana, todos os órgãos e sistemas de órgãos se formam de modo tal que cada um deixa ao outro o espaço suficiente para seu livre desenvolvimento, mantendo-se dentro dos limites que parecem necessários para permitir a todos se manifestarem de maneira igual.”
Quanto ao sistema de órgãos dos animais no primeiro plano, Steiner se refere à principal característica de cada um: a águia possui olhos poderosos, os cachorros o faro, os roedores a agilidade, o leão a força, etc., enquanto que, no Ser Humano, não existe um órgão que sobressaia, porque estão todos em equilíbrio.
Considerando que o ser humano é um microcosmo no macrocosmo, gostaria agora de estender estas observações aos grupos sociais:
Quando um indivíduo ou departamento se sobressai em relação aos demais, causamos um desequilíbrio, e isso dificulta aquele grupo de se desenvolver. Todo aquele “ser” (o grupo ou a organização) se realiza naquele que está num primeiro plano. É muito comum percebermos este fenômeno em líderes voltados apenas para si, para sua própria realização, onde as demais pessoas são relevadas ao segundo plano.
Em uma organização viva, que aprende e evolui, cada unidade (indivíduo, grupo, departamento, etc.) deve se esforçar para que todos estejam em equilíbrio, onde haja, como disse Steiner, “espaço suficiente para seu livre desenvolvimento, mantendo-se dentro dos limites que parecem necessários para permitir a todos se manifestarem de maneira igual”; isso vai criar espaço, não apenas para a própria organização se desenvolver, mas também para aquele órgão que ocupa o primeiro plano.
Importante dizer que não podemos buscar o equilíbrio de um grupo enfraquecendo as partes fortes, mas fortalecendo as fracas, exigindo deste um grande esforço na capacitação e formação de consciência de cada indivíduo. Outro ponto é que este desequilíbrio faz parte do processo evolutivo de cada um ou de cada grupo, que cada instituição deve passar por suas fases de desenvolvimento, até alcançar um nível mais elevado, ou seja, este processo deve ser gradativo e constante.
Este é um dos campos de estudo da Pedagogia Social com base Antroposófica: observar a organização como um organismo vivo, entender e criar condições sadias nos grupos, tornando esses locais ideais para o convívio social e o desenvolvimento de cada um.
Hélcio de Castro Padrão
Consultor da Éthica Consultoria e Treinamento – BH –MG
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