PEDAGOGIA SOCIAL: UM BREVE RELATO
Após a 1.ª guerra mundial, Rudolf Steiner passou a se preocupar mais com a questão social e criou a seguinte lei social básica:
“O bem de uma integralidade formada por pessoas que trabalham em conjunto é tanto maior quanto menos o indivíduo exigir para si os resultados de seu trabalho, ou seja, quanto mais ele ceder estes resultados a seus co-laboradores e quanto mais suas necessidades forem satisfeitas, não por seu próprio trabalho, mas pelo dos outros.”
Ele analisou também o organismo social a partir dos três ideais: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, já surgidos na época da Revolução Francesa, nos idos de 1789, criando uma relação destes com as três qualidades anímicas do ser humano: Pensar, Sentir e Querer/Agir. Vale ressaltar que na vida social o Pensar é expresso pelo mundo cultural, o Sentir pelo setor jurídico-político (que é quem cuida dos acordos – leis – de convivência e de sua aplicação) e o Querer pela Economia. Dizia ele que, para se criar as condições ideais para um desenvolvimento social saudável, o pensar estaria relacionado principalmente com a liberdade, ou seja, todos têm direito a liberdade de pensamento, credo, expressão, etc.; a igualdade com o sentir, ou seja, que devemos tratar as pessoas de forma imparcial, com igualdade, sem os sentimentos de simpatia ou antipatia e onde todos devem ter direitos iguais independente de raça, credo, nacionalidade, etc.; e a fraternidade com o querer, porque devemos querer de forma responsável, pois se um tem muito outro terá que ter pouco.
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Analisando a guerra, Steiner afirmou que as mudanças sociais não devem se dar mais por uma luta externa, mas agora por uma luta interna, uma luta travada no interior do indivíduo na busca da consciência, pois estamos vivendo o que ele chamou de “era da Alma da Consciência” e que a mudança deve começar pela educação, e acontecerá através de uma mudança em cada indivíduo. Vivemos ainda na esperança de que o mundo será melhor se transformarmos as instituições externas; olhando para a história, podemos comprovar que não alcançaremos um mundo melhor somente optando pelo socialismo ou pela democracia ou pela monarquia, etc, pois de que adianta termos instituições teoricamente “boas” se as pessoas que as comandam não estão devidamente preparadas? Definitivamente isso não resolve a questão.
Por um outro lado, esta mudança interior é um processo lento e difícil, pois é um processo de autoeducação consciente, e talvez por isso ainda optamos pelas lutas externas, para mudar as instituições externas ou mesmo o “outro”, fugindo muitas vezes de nossa responsabilidade e do contato com a nossa própria individualidade.
A Pedagogia Social teve seu segundo impulso posteriormente com o médico psiquiátrico Bernard Livergoed que percebeu as questões sociais quando da construção de uma clínica para pessoas com necessidades especiais. A partir da observação e dos desafios oriundos do funcionamento deste organismo social, composto pelos pacientes, famílias de pacientes, terapêuticos, pessoal administrativo, etc, começou a estudar e desenvolver a questão social fundamentado nos princípios de Steiner, tendo a oportunidade de dialogar sobre este assunto diretamente com ele.
Na Holanda surge o NPI (Nederlands Pedagogisch Institut), fundado por Livergoed, e estes conceitos foram trazidos para o Brasil pelo casal Lex e Johanna Bos nos idos de 1979, através dos Seminários de Pedagogia Social.
Entre os conceitos que tentam definir a Pedagogia Social, podemos citar este, de Lex Bos: “Pedagogia Social é lidar consigo, com o outro e com as perguntas de tal forma que o seu agir possa contribuir para o saudável desenvolvimento das condições sociais.”
Podemos definir também como:
“A Pedagogia Social busca o desenvolvimento consciente do indivíduo e das organizações através da compreensão da educação humana e sua missão, além do reconhecimento e valorização das diferenças e sua importância para o saudável funcionamento do organismo social como um todo.”
A Pedagogia Social atua em grupos e organizações de todos os setores, e tem como um de seus pilares o olhar para os grupos ou organizações como seres orgânicos, vivos, buscando encontrar a relação do desenvolvimento destes com o desenvolvimento dos próprios indivíduos, além de buscar promover o desenvolvimento do grupo partindo desta forma de observação. No mundo moderno vivemos a maior parte de nossas vidas no trabalho, tendo este um papel fundamental no autodesenvolvimento de cada um.
Os trabalhos de desenvolvimento e/ou consultorias são elaborados a partir das necessidades das organizações e o foco não está em mostrar saídas ou soluções, mas em refletir e clarear a situação em que se encontra o grupo e, partindo dessa imagem, facilitar que o próprio grupo encontre sua própria saída e aprenda com as suas questões.
Além dos Seminários promovidos pela Associação de Pedagogia Social (APS), existem no Brasil várias consultorias que se fundamentam nestes princípios, como o Instituto Fonte, Maturi, Ecosocial, Adigo e em Minas Gerais a Éthica Consultoria e Treinamento.
Em resumo estas são algumas das preocupações da Pedagogia Social. Para conhecer mais visite o site: www.pedagogiasocial.com.br.
Berenice von Rückert
Hélcio de Castro Padrão
Consultores da Éthica Consultoria e Treinamento
e-mail: ethicabhnt@hotmail.com
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