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Trabalhos Técnicos  

Educação Ambiental e Empresas: alguns resultados dos encontros do Grupo de Trabalho Brasileiro

Deborah Munhoz - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Rede Mineira de Educação Ambiental

Ref.:
MUNHOZ, DEA. Educação Ambiental e Empresas: alguns resultados dos encontros
do Grupo de Trabalho brasileiro. In : CONGRESSOIBERO AMERICANO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 5, Joinville, Anais, Santa Catarina, 2006.

A Educação Ambiental aplicada aos públicos internos e externos das empresas vem atraindo profissionais da iniciativa privada, educadores ambientais e pesquisadores. O presente trabalho tem como objetivo apresentar alguns dos resultados e reflexões a partir dos dois encontros do grupo de trabalho brasileiro sobre Educação Ambiental & Empresas. Buscando iniciar e aprofundar o
processo de diagnóstico da EA praticada pelas empresas e dar visibilidade à diversidade de ações de EA praticada pelas empresas foram realizados dois encontros de grupos de trabalho específicos no Brasil.

Procurou-se criar oportunidades das empresas refletirem sobre suas práticas para com suas partes interessadas (stakeholders) assim como trocar experiências. A iniciativa partiu da Rede Mineira de Educação Ambiental (RMEA) durante as discussões preparatórias para o V Fórum de Educação Ambiental. O primeiro encontro ocorreu na cidade de Goiania, Estado de Goiás, em novembro de
2004, durante o V Fórum, sob a coordenação da RMEA. O segundo teve como objetivo aprofundar as discussões e ocorreu em Serra, Espírito Santo, no Centro de Educação Ambiental da Companhia Siderúrgica de Tubarão, em agosto de 2005, sob a coordenação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.

Metodologia: A dinâmica dos trabalho em ambos os grupos foi a mesma: Perguntas norteadoras foram disponibilizadas previamente para os interessados em participar do encontro. As inscrições foram confirmadas mediante o envio das respostas ao questionário. Durante o encontro presencial, as mesmas perguntas foram trabalhadas em grupo e posteriormente sintetizadas.

Resultados: Durante a socialização, as respostas foram discutidas e novamente sistematizadas coletivamente gerando um documento final. Somente foram aceitas pessoas que trabalham diretamente com educação ambiental dentro de empresas e/ou junto a comunidades por demanda de empresas. A escolha desse critério baseou-se na experiência prévia da facilitadora na participação de outros grupos de trabalho temáticos na área de Educação Ambiental nos quais a presença de muitos interessados sem experiência prévia dificultavam o andamento e aprofundamento das discussões. Esse critério de aceitação de participantes assim como o envio prévio das respostas do questionário possibilitou manter o foco das discussões e respostas mais maduras além de criar uma atmosfera de alta produção dos grupos.

Para ambos os públicos a EA busca: conscientizar e promover o equilíbrio entre o ser humano e a natureza, potencializar a política ambiental, melhorar a imagem da empresa, atender exigências legais, compromisso e responsabilidade social e ambiental. Para o interno, está associada a certificação, reducção de custos, trabalhar resistências e mudança de cultura. Para externo, visa atender às
demandas sociais e governamentais, cultivar o relacionamento e atender exigências legais. Os programas de educação ambiental nas comunidades são baseados nas políticas e diretrizes ambientais da empresa, estudos de Percepção Socioambiental, consultorias externas, no sentimento e/ou desejos dos técnicos da empresa, nas solicitação de lideranças comunitárias, na avaliação dos impactos gerados nos processos produtivos, nas condicionantes do órgão ambiental, nas estratégias de negócio, em ONGs e nas próprias demandas da empresa. Algumas empresas começam a entender a educação ambiental como um processo e identificam a necessidade de um projeto político pedagógico para fundamentar um plano de ação que seja capaz de proporcionar transformações culturais efetivas no ambiente orgnaizacional. Outras promovem ações isoladas sem fundamentação, mas que são capazes de atender as demandas legais. Muitas vezes há choque entre o procedimento considerado pedagógico e o possível dentro da ótica orçamentária.

Há muitas vezes falta de processualidade, realização de ações empíricas e pontuais. Para o público externo as empresas oferecem desde capacitação palestras a capacitação profissional, incluindo capacitação de professores e alunos. Algumas oferecem apoio financeiro para projetos diversos. Para o público interno a EA é realizada de forma pontual na maioria das vezes. Aborda a prevenção de riscos, resolução de conflitos, cuidado com o ambiente, saúde e segurança; capacitação, preparação para certificações, redução de práticas indesejadas, percepção sistêmica, formação de agentes internos. A carga horária destinada à EA varia de 12 a 80 h/ano para público interno. A capacitação de professores feita por várias grandes empresas tem em média 40 horas/ano.

Na visão dos profissionais integrantes do grupo de trabalho, a EA pode contribuir para os negócios da empresa: na redução de custos, aumento da visibilidade, expansão do mercado e bom posicionamento da marca perante o competitivo mercado global; credibilidade, no controle de desperdício e aumento de produtividade. O pensamento ecológico proporciona relações humanas mais harmoniosas, maior compromisso, reconhecimento da comunidade externa e interna, obtençaão de selo verde, valorização da função social, redução de impostos, melhoria da magem, implantação de Produção Mais Limpa e ecoeficiência, minimização de impactos ambientais, diminuição de retrabalho, e por fim a criação de oportunidades de inovações a partir de postos de trabalho. As principais barreiras para a prática da EA foram: o entendimento de EA como um custo, o próprio Capitalismo, a formação deficitária de profissionais que atuam na área quanto dos demais profissionais das empresas que não possuem
formação ambiental.

Essa formação deficitária contribui para a falta de cultura ambiental da empresa. Falta de um sistema de avaliação, sobrecarga de trabalho dos profissionais responsáveis dentro da empresa, falta de reconhecimento da importância da atividade, o fato da EA ainda ser praticada como maquiagem por algumas empresas, falta de credibilidade da EA em parte por ainda não ser quantificada, parte pela baixa qualidade de serviços oferecidos por alguns consultores às empresas. Ainda foram citadas a falta de informação e o preconceito que os trabalhos de EA de empresas sofrem exatamente por serem de iniciativa privada. O pré-conceito em relação às práticas de EA da iniciativa privada já foram apontados na “Carta de Timóteo”, elaborada durante o Encontro de Centros de Educação Ambiental em 2003, na cidade de Timóteo, Minas Gerais. Como barreiras externas, a burocracia, a falta de organização dos parceiros (secretarias de educação, escolas, ONGs e sociedade civil como um todo) e a resistência das empresas terceirizadas foram apontadas.

Considerações Finais: Os encontros realizados não tiveram como pretensão esgotar o assunto. O diversificado mundo da iniciativa privada tem necessidades, culturas e dinâmicas próprias que precisam ser estudadas, compreendidas e respeitadas pelos profissionais que nela desejam atuar. A solução dos problemas e a complexidade do ambiente organizacional apontam para a necessidade de uma abordagem sistêmica assim como a da formação de profissionais com visão empresarial. No sistema de gestão convencional, a EA é tida como custo mas à medida que o conceito de sustentabilidade vai entrando na práxis das empresas, passa a ser vista como benefício. A empresa passa a adortar uma postura mais pró-ativa. Faz-se urgente a necessidade de melhor definição de critérios de qualidade, formas de avaliação e definição de indicadores para os trabalhos de prestadores de serviço e projetos de EA uma vez que a criação de termos de referência para Educação Ambiental nos processos de licenciamento ambiental configura-se como uma tendência no cenário nacional. Existe uma certa mistura
entre as obrigações pertinentes ao Estado e ao sertor empresarial. Nesse sentido, a Educação Ambiental como forma de despertar o senso de cidadania torna-se estratégica para empresas junta ás comunidades.

Bibliografia:
MUNHOZ, D “Alfabetização Ecológica: das pessoas às cadeias produtivas”. IN: Identidades da Educação Ambiental Brasileira. MMA/DEA; P. P. Layrargues, (Coord.) Brasília:MMA, 2004; Rede Brasileira de Educação Ambiental. "Resultados do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental & Empresa". V Fórum de Educação Ambiental. 3 a 6 de novembro de 2004, Goiania,

 
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